A minha opiniom sobre a situaçom atual da Catalunya

[Nota: Importante olhar a data de publicaçom diste artigo. Ou nom… depende dos acontecimentos futuros]

Perdoade que iste artigo chegue tam tarde. Mais, se quigeres ter ũa opiniom sobre calquer cousa, primeiro deves estar informado sobre isse tema. Canto máis, melhor. Caso contrário, pode vir alguém que saiba máis ca ti sobre o assunto e acabar com toda a ideia que tinhas sobre a questom n´apenas ũus segundos ou minutos.

Isso é o que estivem a fazer ultimamente. Informar-me e tentar comprender e entender a situaçom catalã. Inda nom estou todo o informado do que eu gostaria, mais aló vou. Ista é a minha opiniom sobre a situaçom atual da Catalunya.

Pra começar, cómpre definir-se ideologicamente. Atualmente, eu estou a prol do direito a decidir da Catalunya e da sua independência (sempre que nom ouver violência e for um processo totalmente democrático, craro está. Nom queremos máis ETAs; isses tempos já têm rematado). E tamém da de Euskadi e da Galiza. Eu nom teria probrema em viver nũa Espanha com igualdade e respeito de tódalas línguas, culturas, tradições, raças, religiões, etnias, nações… Algo assim coma a Suíça ou o Liechtenstein. Ou até melhor ca isso.

Moitos catalães e espanhóis votárom a favor da Constituiçom do 1978 porque verdadeiramente acreditavam que isse era um reinício da Espanha, um volver a começar; ũa Espanha livre e igualitária… Peró o tempo acabou desenganando a gente. O Estado espanhol (que doravante iremos definir por vezes como Castela; pois as outras 3 nações mal têm algũa capacidade de decisom) segue obrigando à gente a aprender o castelão (cousa que nom acontece coas demais línguas oficiais da Espanha), segue promovendo e financiando à religiom católica, segue sen aver um ensino laico e livre (por exemplo, a matéria d´istória poderia ser moito melhor explicada. E tamém a de Língua Galega, dito seja de passagem. Bom, e moito outras; pra que nos imos enganar), a raça predominante seguem sendo os brancos, á ũa umiliaçom cara às culturas e tradições diferentes das castelãs; os refugiados, marroquinos e saarauís mal podem estar na Espanha, segue sem reconhecer que a Espanha é um país com várias nações… No único no que melhorou algo a Espanha foi na reduçom do machismo e na desigualdade laboral d´omes e muiés, mais isse é um caminho ò que tamém lhe falta moito por percorrer. E tamém como se comprovou istes dias, Castela nom se esqueceu de como se tomam medidas repressivas. As denúncias feitas contra “El Intermedio” por brincar co Franco e o franquismo (isto ocorreu á algũus meses), o assunto da Fundaçom Franco, a memória istórica, a repressom da Catalunya… definitivamente som signos que a Espanha está vivendo ũa regressom na sua mentalidade. Talvez sejam todos isses atos legais, mais o franquismo tamém tinha a sua legalidade. A legalidade nem sempre é justa. E a verdadeira legalidade é a decidida por todo o povo.

Outra cousa da que eu nom gosto é que se queira emancipar apenas a Catalunya. Eu gostaria de que se emancipassem tôdolos territórios, que atualmente pertencem à Espanha, que pertencérom à Coroa d´Aragón. Ou seja; a Catalunya, Aragón, Comunitat Valenciana e Illes Balears. O Rosselló já é outro tema…

É verdade que a Coroa d´Aragón nom era unitária e todos istes territórios eram reinos coas suas leis e parlamentos. Isso explica que, na Guerra dels Segadors, só tomasse parte a Catalunya e nom toda a Coroa d´Aragón. Mais na Guerra de Sucessom Espanhola si que tomou parte toda a Coroa d´Aragón, sofrendo tamém o famoso 1714.

Realmente, a Catalunya apenas foi um país durante o período moi curto de tempo. Sempre esteve sob outra entidade ou formando um país máis grande: o Império romão, os visigodos, os musulmães, o Império carolíngio, a Coroa d´Aragón, Reino da Espanha, República da Espanha… O único período no que foi um país foi no espaço de tempo entre o Império carolíngio e a formaçom definitiva da Coroa d´Aragón. Tamém á algũus casos ilhados (que podem depender bastante da interpretaçom de cada quem); como a Guerra dels Segadors, os casos do 1931 e o 1934 ou a situaçom catalã durante a Guerra Civil.

Ũa naçom é um território com língua, cultura, tradições, costumes e até ũa personalidade próprias. Pra mim, som os territórios da antiga Coroa d´Aragón os que som ũa naçom, nom apenas a Catalunya. As relações entre isses reinos da antiga Coroa d´Aragón poderia dizer-se que era similar a ũa confederaçom atual; sendo, pois, a Coroa d´Aragón um exemplo de descentralizaçom dum Estado (nom coma Castela, sempre co seu caráter uniformador e tam pouco amigo da diversidade). Era ũa monarquia pactada, pois o rei tinha de reunir-se coas Cortes da Catalunya, València e Aragón (e até Mallorca, dependendo do momento da istória. Algũus diredes: se o único que compartiam era o rei e cada tinha as suas leis e parlamentos; entom si que eram um país, pois é coma o que acontece aristora coa Commonwealth? Nom exatamente. Na Commonwealth, nem todos compartem rei, e os que têm é apenas de forma representativa. O rei mal tem algũa capacidade. Isto nom acontecia na Catalunya; já que, sim é verdade que o rei tinha de pactar coas Cortes, mais normalmente o conseguia; fazendo que tampouco ouvesse tanta diferença das leis e que fosse o rei o que ordeasse as campanhas militares. A Coroa d´Aragón era algo equivalente a ũa (con)federaçom, mais seguia sendo um país e ũa naçom.

Ago semelhante poderia realizar-se na atualidade. Ũa Confederaçom aragonesa em forma de República (acho que nom á moitos que queiram a monarquia, mormente nissa zona) dividida em 4 entidades diferenciadas, mais nem tanto. Explico. A língua catalã nom é exclusiva da Catalunya, tamém é falada na Comunitat Valenciana e nas Illes Balears. Algũas tradições que possa ter as Illes Balears tamém se podem dar na Catalunya. Algum rasgo particular da personalidade valenciã, poderia nom ser tam particular; e dar-se tamém n´Aragón. E assim com tantas outras cousas. O que está bem craro é que istes territórios têm moito em comum, até o ponto de que se poderiam considerar ũa naçom. Peró todos iles, nom apenas a Catalunya. Seria- a naçom aragonesa ou catalã(que lhe chamem como quigerem, o nome mal tem importância) formada polos territórios referidos acima.

Ò final, cando ũas determinadas entidades decidem usar bandeiras tam semelhantes; é porque existe ũa irmandade, um sentimento de pertença ò mesmo povo e naçom. E o que impede a uniom definitiva baixo a mesma bandeira e país som apenas questões políticas. Um exemplo disso temo-lo na Colômbia, Equador, Venezuela (e até o Panamá, iste com outra bandeira). Moitos dos seus cidadãos veriam com bons olhos ũa fusom nũa Grande Colômbia e o que impede isto som apenas motivos políticos, nom porque sejam nações diferentes.

Em suma, pra mim as nações têm direito à autodeterminaçom e à independência. Mais toda a naçom, nom apenas ũa parte. Isso é como se Portugal se emancipa da Galiza e a deixa tirada à sua sorte coa tirania imperalista e autoritária de Castela; enquanto o seu Estado estaria prosperando. Um momento…

Dito isto, pra mim, iste é um conflito entre “maus” e “piores”. De Castela/Espanha/Madrid já está todo dito. Envio de policiais (deixando o resto da Espanha desprotegida perante calquer possível ameaça ou emergência), uso dos mídia castelãos pra promover apenas a sua versom e desprestigiar os independentistas, registo d´imprensas, pechamento de páginas web…  Mais, e que á da Generalitat? Acaso iles agírom de maneira perfeita pra cumprir os seus ideais? Nom, nem de longe. Primeiro, os partidos governados atualmente na Catalunya e na Espanha som dous dos máis corrutos. Clã Pujol, Bárcenas, Rodrigo Rato, caso Gürtel… O melhor que nom se dediquem a recriminar-se entre iles, porque é um empate (nom é pra estarem moi orgulosos, penso eu). Segundo, a Generalitat di que nom teve máis opçom ca convocar um referendo (e, á case três anos, ũa consulta nom vinculante) de maneira unilateral, pois a Castela/Espanha nom estava disposta a negociar (pois os catalães nom estavam cumprindo a legalidade constitucional). Basicamente, a Generalitat di que tentou tudo. E isso, é falso! O Govern tentou moitas cousas, mais inda lhe ficárom alternativas sem provar. Por exemplo, é competência de cada comunidade autônoma decidir como funcionarám os seus parlamentos. Isso é o que di a atual legislaçom espanhola. Com isso, a Generalitat bem poderia aprovar ũa lei pra modificar o funcionamento do Parlament; pra que tôdolos cidadãos puidessem votar; nom só os deputados. Isto antes seria impossível, mais nom coa tecnologia do século XXI. Ũa página web, ũa aplicaçom ou calquer outra ideia aproveitando-se da rede (a poder ser, o máis encriptada e segura possível). Porque, sim, votar é democracia. Peró votar pra tudo: sanidade, educaçom, leis de trabalho, leis de transporte… Tudo! Craro está, tamém estaria incluído o direito d´autodeterminaçom das nações (em forma de consulta nom vinculante ou até em forma de referendo), mais é que isso é o único que fai a Generalitat. Do resto dim: “Cando formarmos a República, já se poderá fazer isso”. Peró é que isso já se pode fazer agora! Entom, pra que agardar? Na verdade, duvido que se vaia produzir isse esceário, nem nũa suposta República futura, pois os deputados nom che vos som parvos. Se fizerem isso, o seu poder de decisom praticamente deixariam d´existir. Ficariam sem choio, por resumi-lo dalgũa maneira. Issa mentalidade egoísta que impede òs cidadãos decidirem sobre os assuntos importantes (e nom tam importantes) do seu país nom se pode considerar democracia. Melhor dito: talvez si que seja democracia, mais nom se pode dizer que seja ũa democracia d´alto nível. Gostaria d´estar equivocado.

Com istas razões, posso entender que aja gente que esteja em contra do referendo, pois a verdade é que razom nom lhes falta. Gostaria de que se chegasse à situaçom atual doutra maneira que o processo de referendo fosse pactado, que tivesse plenas garantias de que o resultado fosse a efetuar-se (fosse cal fosse) e que se puidesse exercer com total liberdade e sem as ameaças constantes do Estado espanhol.

Desgraçadamente, a situaçom atual “obriga” a ser partidista. É moi difícil ser neutral nista questom. Eu escolho o bando catalám, mais é perfeitamente comprensível quem escolher o bando contrário. Na minha opiniom, as duas versões levam parte de razom; mais nengũu diles chega a tê-la de maneira absoluta. De feito, os debates tam intensos dos últimos dias som devidos à que nom à nengum bando que ofereça ũus argumentos craramente superiores òs outros. A diferença nom é tanta, pois, dim que o PP é corruto? O partido que governa a Generalitat tamém anda por aí. Que a Generalitat está organizando um referendo ilegal? Em Castela estám a tomar medidas próprias dum estado d´exceçom, sem tê-lo declarado (e tampouco aplicárom o artigo 155 da Constituiçom, polo que as suas ações na Catalunya tamém som ilegais). Que o que fai Castela está permitido, pois é pra proteger a “unidade nacional”? Bom, e o referendo catalám está amparado pola Carta das Nações Unidas, na que reconhece o direito d´autodeterminaçom dos povos; e polo direito internacional, tamém reconhecido no artigo 96.1 da “sagrada” Constituiçom do 1978.

Ou “maus” ou os “piores”. Tu escolhes. Eu já escolhim e estou cos catalães, pois acho que istes som os levam máis razom. E máis razom que teriam se aplicassem a democracia pra tudo.

A soluçom tardará em chegar; pois, inda que ganhar o sim, teriam de passar algũus meses até a formaçom da República. E averia que ver como solucionam os probremas de reconhecimento dos demais Estados, a saída da Uniom Europeia (à que logo deveriam poder retornar) ou do euro, os mambos deportivos… Penso que todo se poderia solucionar, dado que a ninguém lhe interessa que a situaçom nom se possa resolver.

Além de todo isso, parece que o Mariano Rajoy e o PP som os máis independentistas de toda a Espanha. Porque a verdade é que estám a fazer de tudo pra incitar òs catalães (e, de passagem ou nem tanto, às demais nações) cara ò independentismo. Os inquéritos dantes do anúncio do referendo diziam que o independentismo se situava num 41%, sofrendo ũa baixada com respeito òs últimos anos. OS últimos inquéritos feitos nos últimos dias dim que se situa num 53%. É a primeira vez em moito tempo que o independentismo catalám consegue a maioria, superando o 50%. Istes últimos anos estivera perto do 50%, mais sem chegar a ista porcentagem. Agora superou-na. Antes a ideia dos Països Catalans, na Comunitat Valenciana, apenas era apoiada por catro gatos. Gato máis, gato menos. Á algũas semãs, um inquérito situava o apoio a ista ideia num 6%. Nom seria descartável que aristora se situa-se num 10%. Ũa porcentagem que já começaria a ser significativa. N´Euskadi e na Galiza acho que o independentismo tamém tem subido, polos grandes apoios que tem mostrado a populaçom civil e; recentemente, o Parlamento do País Basco.

Tamém á que dizer que os argumentos utilizados por Castela (e até pola Uniom Europeia coa sua política d´indiferença perante o autoritarismo castelão, razom pola cal; no seu momento, o regime franquista nom puidera entrar nista) pra convencer à Catalunya de ficar… digamos que nom fôrom os melhores. Ameaças contínuas, apelaçom à que economicamente estariam pior, que serám um país pequeninho, que saíram da Uniom Europeia, que o Barça vai jogar na liga catalã e nom vai estar na Champions… Primeiro; issas som cousas que, falando-os, poucas repercussões deveriam estar. E, segundo, a quem lhe importa? Moitas das colônias que se emancipárom das suas metrópoles nom lhes foi precisamente  melhor. Mais som livres, ninguém lhes manda e ninguém os têm escravizados ou oprimidos. Nom vejo que as colônias africãs peçam voltar à metrópole, mália a grande pobreza que têm.

Catalunya é ũa parte moi importante da Espanha: populacionalmente, turisticamente, deportivamente, economicamente… A Espanha/Castela perderia moito sem a Catalunya. Com ameaças, os catalães nom se vam sentir queridos. E se os castelãos nom os querem, pois marcham; é óbvio. Se realmente quigerem que a Catalunya fique, deveriam fazer-lhes ver que som ũa parte da Espanha coma outra calquera; n´igualdade de condições. Algo que, ò meu ver, nom acontece; mais Castela tampouco se esforçou rem por tentar enganá-los. Diria que até é ò contrário.

A istória fam-a os vencedores. Veremos cal é a istória que será lecionada nas escolas durante as próximas décadas… Agardemos que seja o máis fiel possível à realidade, e o máis objetiva. Mais agora, eu vou remarcar duas leis e datas istóricas: a lei 19/2017 (a Lei do referendo, aprovada o 6 de setembro do 2017) e a lei 20/2017 (a Llei de transitorietat jurídica i fundacional de la República, aprovada o 7 de setembro do 2017) do Parlament da Catalunya. Peró o máis importante é o 1 d´outubro do 2017, data na que os catalães decidirám o seu futuro. Já tivemos dous “ensaios” anteriormente, que fôrom a consulta nom vinculante do 9 de novembro do 2014 e as eleições autonômicas do 25 de setembro do 2015. Esperemos que ista votaçom seja a definitiva.

Por último, nom quero finalizar iste artigo sem pedir desculpas pola minha generalizaçom niste artigo. Sei que á moitos espanhóis de Madrid, de Castela e de toda a Espanha que estám coa Catalunya e catalães que estám em contra do direito a decidir. Mais acô falo de maiorias. Segundo os inquéritos, á um 82% dos catalães a prol do referendo. E a maioria da gente de Castela votou o PP, partido que foi fundado por ministros franquistas. Tamém á moitos que votárom a Ciudadanos e o PSOE, partidos negadores das realidade plurinacional e do direito a decidir dos catalães. E Podemos é ũa formaçom cũs ambiguidade calculada, mais que no fundo apenas quer fazer coma a Uniom Soviética. Reconhecer de iure o direito d´autodeterminaçom das nações, mais nom aplicá-lo; ponhendo moitas travas pra isso. Inda que isso nom é culpa de Castela, mais da política atual; que “obriga” às pessoas a votar polo partido menos “mau” (ou nom votar, diretamente). Ò final, a política atual é ũa classe elitista com privilégios; coma os nobres da Idade Média. Tomara isso mude dentro de nom moito, pois iste probrema concreto tamém afeta à Galiza. Precisamos dum político/partido que realmente pense no melhor pro seu povo. Por exemplo, permitindo votar pra tudo.

Embora seja difícil, ou a Espanha se reforma profundamente ou irá acabar dividida em tantos países coma a Iugoslávia. Se produzir-se isto, esperamos que nom tenha a violência diste conflito.

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